Você sabe o que é cirurgia metabólica?


Nos últimos tempos, a cirurgia metabólica voltou à tona por causa da decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), que publicou a resolução número 2.172/2017, trazendo novas regras e ampliando a indicação do tratamento para pacientes com diabetes tipo 2 e com índice de massa corporal entre 30 e 35.

Estes são outros critérios clínicos definidos pelo documento. Candidatos com histórico de doença mental deverão receber avaliação abrangente específica por psiquiatra e psicólogo. Caso não haja contraindicação e cumpra-se todos os requisitos para elegibilidade ao tratamento, deverá ser elaborado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) especificando riscos, taxa de mortalidade, complicações e necessidade de acompanhamento clínico regular no pós-operatório por equipe multidisciplinar (exames de imagem e laboratoriais periódicos para verificação de eventuais deficiências de micronutrientes, prevendo sua suplementação. Complicações microvasculares devem ser monitoradas periodicamente e sem limite de tempo).

A idade mínima é de 30 anos e a máxima é de 70. O diagnóstico precisa ter sido definido a menos de 10 anos, com refração ao tratamento clínico (não obtenção do controle metabólico, após acompanhamento regular com endocrinologista por, no mínimo, dois anos, abrangendo mudanças no estilo de vida, dieta e exercícios físicos, além do uso de antidiabéticos orais e/ou injetáveis) e inexistência de contraindicações para o procedimento cirúrgico.

Como a diabetes (cerca de 9% da população brasileira convive com a doença) está fortemente associada à obesidade, mais de 14,3 milhões de pessoas poderão ter essa intervenção como opção terapêutica, caso o tratamento clínico não apresente resultados.

Vale lembrar que o tratamento para controlar a glicemia é de difícil assimilação, devido, entre outras coisas, às próprias características da doença e às drogas injetáveis – muitas vezes de alto custo.  


Não confunda bariátrica com cirurgia metabólica!

Na cirurgia metabólica ocorre o mesmo procedimento da cirurgia bariátrica. A diferença é que a primeira visa o controle da doença, enquanto a segunda tem como objetivo a perda de peso, com a contenção de doenças como diabetes e hipertensão em segundo plano.

Estudos recentes indicam que o processo metabólico apresenta resultados positivos de curto, médio e longo prazos, diminuindo a mortalidade de origem cardiovascular, que, estimam estudos, é entre 9,5% e 10,5% ao ano.


Problemas relacionados à diabetes

O grande problema do diabetes tipo 2 é que ele não anda só. Outras condições se associam ao problema, como hipertensão arterial e níveis elevados de  colesterol e de triglicérides no sangue. A medida da cintura maior não impacta somente na estética, é sinal de que algo “está fora do lugar”. Pesquisas apontam que menos de 20% dos pacientes tratados conseguem controlar os três pontos associadamente.

Em se tratando das técnicas, o órgão regulador também definiu que a cirurgia metabólica para esses pacientes se dará, prioritariamente, por bypass gástrico, com reconstrução em Y-de-Roux (BGYR). Somente em casos de contraindicação ou desvantagem da BGYR, a gastrectomia vertical (GV) será a opção disponível. Nenhuma outra técnica cirúrgica é reconhecida.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto.

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